Quando eu já cá não estiver, chegou o fim e o nada, e talvez aí comece o princípio, um princípio novo, fresquinho, liso como uma duna de neve onde vou poder escrever o que quiser, desenhar, fazer bonecos, rebolar, brincar e finalmente, rir-me.
Quando eu já cá não estiver, deixei para trás as amarras, as convenções, os deveres, obrigações, remorsos, e barreiras que me indicam o caminho e que não consigo saltar. E quando chegar ao fim dessa estrada, e as tiver deitado abaixo, no novo caminho branco que começa, estará uma pessoa livre, sem condicionamentos, sem espartilhos e com capacidade para aprender, experimentar e principalmente, sentir.
Uma pessoa que, por não ter passado, vai acreditar que tudo é possível e entregar-se ao futuro, vai ter alma de criança, inocência, expectativas, vai sentir emoções, vai finalmente amar sem medo, vai brincar na neve, fazer disparates, comer gelados com os pinguins, abraçar os outros, fazer declarações de amor aos bonecos de neve, dizer o que sente e se for preciso, chorar também.
E nesse princípio que já não é para mim, mas é um princípio imaginado, vai conseguir realizar todos os seus sonhos, projectos, grandes realizações, grandes amores, que sempre viveram encarcerados dentro de uma gaiola de uma pessoa normal, pacata, anónima...
E, por se sentir livre e sem passado, vão também desaparecer os pesadelos, frustrações, raivas e ódios queridos.
E nessa altura, o céu será um ringue de patinagem, o mar uma onda de frescura, a neve a pureza que a vai embrulhar, e começará a caminhar, leve e livre, em direcção ao calor do sol que a vai envolver.
E para tudo isso, não precisa de companhia, só de coragem e amor pelo mundo, pelas pessoas e finalmente, por si própria.
E, talvez, com algum jeito, esse dia chegue, e consiga desaparecer de mansinho, sem notarem, só ficará menos barulho, porque não quero magoar ninguém, quando eu já cá não estiver.....
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ResponderExcluirEspero que seja assim:). Abraço amigo, Júlio.
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